quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Capricorniano Sincero

Só sei ser só.
Só sei ser só.
Sem saber se sofro sorridente.
Seguramente, sinceramente.
Sigo sempre solitário, seco, salivando, sem sorte.
Sem sorte...

Com certeza chorarei...
Com cuidado caminharei...
Com certeza continuarei cantando contra coisas contrárias.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
Vulgo: Drixs

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

ESSES DIAS

Sabe esses dias em que você não quer conversar com ninguém e nenhuma roupa lhe cai bem...
Sabe esses dias em que todo mundo está lhe condenando e você se sente tão pouco, pelas vozes insanas que rondam sua cabeça...
Sabe esses dias em que o céu está todo cinzento e você se sente tão bem, pois sua mente está nublada também...
Sabe esses dias em que a vida está tão cheia de alegria, mas ainda encontramos motivos pra chorar...
Sabe esses dias em que você se tranca no quarto deixando sua alma voar longe, fechando os olhos pra realidade enquanto o tempo escorre entre seus dedos...
Sabe esses dias...
Lembre desses dias...
Acredite nesses dias...
Mas saiba que nesses dias...
Em todos esses dias, sempre te esperei e sempre te amei...
  
ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

JULIANA

Como é forte tua luz.
Como é doce teu olhar.
Tudo em você me seduz.
Que bom te amar ... de amor ... te amar.

Como é suave teu rosto.
Como é meiga tua voz.
Quando te ouço, fico exposto.
Quando te vejo, te pertenço, te navego ... de amor ... te navego.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS

sábado, 11 de dezembro de 2010

RIMA POBRE

Minha rima é pobre, escrevo para os pardais que sobrevivem de migalhas,
sempre na espreita, a espera de mais.
Minha rima é cobre, dos metais, esse condensa a cachaça, que se bebe quase de graça pelos irmãos de alquimia.

Minha rima só é nobre para os cegos, para os iletrados que pós-graduam no amor das coisas simples, para as Marias e os Joaquims de pés rachados e dedos cortados, calejados de trabalho e de luta, felizes pelos estômagos cheios e sorridentes dos filhos.

Minha rima é cofre, esconde a jóia dos olhares de navalha, moldados em sistemas, regras e fórmulas para humanos robóticos, que não sentem o perfume do esterco, que nunca experimentam o pinicar do milho na colheita, que não escutam a microfonia punk-hipnotizante do carro de boi, que não enxergam a beleza na enxada e a arte genuína em calejar os dedos.

Minha rima atrai varejeiras, vermes e ratos.
Esse trio funesto me entende.
Minha rima compõe e eles a decompõem.

Minha rima sofre ao ver tanta gente diplomada sem estrada.
Sem a sabedoria e a doçura dos matutos.
Almas nobres. Almas legítimas. Almas imortais. Almas animais.
Criadores de uma língua tão pura que os bichos entendem.
Para esses doutorados no mato, minha rima ilumina.
Para esses violeiros da roça, minha rima canta.
Para essas pessoas nobres do campo, minha rima nasce rica.


ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS


quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Méchant

Sou o erro previsto e inevitável,
Sou a agulha embaixo da unha,
Sou o buraco no sapato,
Sou o estômago faminto,
Sou a lama,
Sou o drama,
Sou o suspense do dedo no gatilho.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

DEPRESSÃO CLÁSSICA

Ninguém vê, mas eu tenho falta de sono.
Ninguém nota, mas eu tenho agonia constante.
Ninguém percebe, mas eu tenho inquietação.
Ninguém repara, mas eu tenho medo do abandono.
Ninguém sente, mas eu tenho irritabilidade excessiva.

Mas só vou melhorar quando eu tomar:
Amplictil (de 6h em 6h)
Pondera (um por dia)
Plomenor (de 8h em 8h)
Fenergan (meio por dia)

Ninguém compreende, mas eu tenho falta de apetite.
Ninguém entende, mas eu tenho raiva da vida.
Ninguém preocupa, mas eu tenho baixa estima.
Ninguém imagina, mas eu tenho obsessão compulsiva.
Ninguém quer, mas eu tenho tendências suicidas.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ode ao Hippie Parafrentex

Eu não preciso mais mudar, a rua agora é meu lugar.
Distante eu já posso ver, tudo aquilo em que devo crer.
A Lua inveja minha solidão.
O ar é meu, é meu alimento.
Do horizonte eu me sustento e das palavras construo minha vida.

Eu não preciso mais voar. Com os pés no chão seu universo eu posso atravessar.
Mas a rua agora é meu lugar.
O Sol não entende o meu calor.
A Terra é minha, é minha sentença.
E tudo aquilo que você pensa, eu posso ser.

Não compreendo mas continuo caminhando.
Caminhando por aí, sem ter aonde ir.
Sem ter aonde ir.
Ter aonde ir.
Aonde ir.
Ir.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS