terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

777

Em minha alma a sua marca, o seu adeus.
Não quero te deixar, lembra do que você me prometeu?
E é só isso o que ficou, a vontade de continuar,
de arrancar essa saudade e essa dor.
Não, não vou esquecer tudo o que você me fez.
Ainda choro quando vejo a nossa estrela brilhar.
Sangrei pra deixar seu nome em mim.
Não me julgue agora, lembra do que você escreveu naquela caixinha de chicletes
e naquela carta com 777 eu te amo pra sempre?
Tentei mudar, ir pra algum lugar me encontar de novo.
Mas carrego você em cada passo que dou, não adianta mudar.
Minha fita cassete, com as nossas canções, quebrada.
Minha calça jeans rasgada pelo nosso amor.
O espelho, marcado com seu beijo, trincado.
Sua foto não dorme mais ao meu lado.
Guardo você pra uma nova estação e
todas as coisas numa caixa em cima do colchão.
Ainda sinto você.
Ainda respiro você.
Ainda vejo você ao meu lado.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

ANDARILHO

Eu sou um trapo com um pé de chinelo,
com um calo bem no papo de tanto comer farelo.
Eu sou trapo e não quero prosa,
nesse mundo cheio de rosa, só conheço o espinho.
Eu sou um trapo e sigo sempre em frente,
nesse mundo cheio de gente, meu cachorro me entende.
Eu sou um trapo doente e sem ninho.
Só o carinho do vento, me alegra um pouquinho...

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS

TEMPESTADE

Hoje a tristeza toma conta de mim.
O olhar desanimado procura algo para se distrair.
O dia vira noite e a tempestade é a melhor tela
 para se pintar a imensa saudade que sinto de você.
O tempo não faz mais sentido para quem já cansou de esperar.
O silêncio faz muitas perguntas.
 As vezes só as lágrimas sabem responder,
 deixando duas linhas úmidas em meu rosto.
As vezes me sinto feliz e tento criar meu mundo.
E nele você é a base de tudo.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS




domingo, 13 de fevereiro de 2011

AGORA

Agora tenho que acostumar.
Agora o vazio desse lugar.
Agora o meu pensamento a voar.
Agora, onde você está?
Agora você parece me chamar.
Agora a distância não me deixa escutar.
Agora o meu grito não vai adiantar.
Agora, aí vou estar.
Agora vamos juntos ficar...

Agora você irá.
Agora você terá de se acostumar.
Agora o seu vazio preencherá o lugar.
Agora o seu pensamento irá voar.
Agora você pensará: onde irei estar.
Agora você irá me chamar.
Agora sua distância não me deixará escutar.
Agora o seu grito não adiantará.
Agora você vem para ficar?
Agora é sempre assim, essa distância a nos machucar.
Agora não adianta chorar.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
DRIXS







quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

AS VEZES

O hábito as vezes é ruim.
O ruim as vezes é certo.
O certo as vezes é vazio.
O vazio as vezes é saudade.
A saudade as vezes é tudo.
O tudo as vezes é nada.
O nada as vezes é hábito.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

TRISTE FIM

Hoje toquei na flor, da janela tentei tocar o céu.
No céu dos olhos, as lágrimas chovem.
No corpo a pele cortada e o sangue brota como uma flor.
Flores do fim, flores em cima de mim.
 A flor traz pureza e alegria.
A morte traz a flor triste para quem acha que ela existe.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO


MAU REGADA INFÂNCIA

Homens de mente vazia e alma cheia de maldade.
Fazem tudo querendo algo em troca, pai ou mãe não importa.
Na família começa o erro e o erro cresce junto com a criança.
Ela não sabe o que é certo ou errado.
Hoje sua lágrima não adianta.
Paga tudo com a mesma moeda, pois sabe que o seu erro é a única lembrança.
Mau regada infância.

ADRIANO MENDONÇA CARDOSO