É estranho ter de esperar aquele sentimento de perda que vai voltar.
O suspiro traz mais um pouco de ar e com ele mais força para continuar.
Então começo a me preocupar e uma lágrima teimosa me põe a chorar.
As vezes rezo para que sem dor ele possa ir, mas rezo mais para ele ficar.
Difícil de acreditar, na idade em que ele está capaz nem d'eu chegar lá.
A verdade deve estar na estrada do luar.
Vá com calma, vá devagar.
A Dona Lia vai te encontrar, com beijos e abraços a alegria vai voltar.
Seu violão lá estará, afinado simplesmente a te esperar.
Com belas canções e poemas o céu vai conquistar.
Com rimas e modas sempre a cantar, brincando com os anjos a duelar:
"O céu tem muita estrela, tem grandes e miudinhas.
O mundo tem muita moça, tem feias e bonitinhas.
Nóis vamô fazê um negócio as feia é sua e as bonita é minha."
O mundo tem muita moça, tem feias e bonitinhas.
Nóis vamô fazê um negócio as feia é sua e as bonita é minha."
Então o Papai do Céu vai demorar a parar de rir do Joaquim Popular.
Agora a saudade é tanta que dá falta de ar e os olhos enchem d'água só de lembrar.
Agora a saudade é tanta que dá falta de ar e os olhos enchem d'água só de lembrar.
OBS: Escrevi esse poema na noite do desencarne do meu grande avô,
poeta e artista do mato, Joaquim Francisco Cardoso.
ADRIANO MENDONÇA CARDOSO
ADRIANO MENDONÇA CARDOSO